Um Olhar de Adolescente

Texto: Ana Paula Flores
Com o objetivo de estimular o protagonismo juvenil, foi criado pela Associação Pró-Brejaru o projeto “Um olhar de adolescente”. Por meio dele, jovens moradores de 12 a 17 anos fizeram uma verdadeira expedição no território e entrevistaram 100 pessoas da comunidade em busca de respostas sobre cidadania, saneamento básico, saúde, entre outros temas.
A pesquisa buscava detectar as potencialidades e fragilidades da região do Frei Damião. Para isso, o grupo de 15 alunos teve, ao longo de três meses, aulas bissemanais sobre cidadania, direitos e deveres, identidade e conhecimento de si mesmo. Em seguida, os jovens elaboraram um questionário e saíram a campo com pranchetas, câmera fotográfica e de vídeo para registrar as entrevistas.
A jovem Denize Nayara Alves de Mello, de 15 anos, afirma que 80% dos entrevistados não sabia responder a primeira pergunta: “O que é cidadania?”. Nesse caso, cabia aos adolescentes fornecer uma explicação aos moradores, com base nos encontros realizados na sede da associação, com a educadora social Priscila Rodrigues. Ela explica que foram discutidos diversos conceitos em sala antes de o grupo sair para as ruas: “Trabalhamos a questão da identidade, dos valores e princípios para que eles possam transformar a realidade social em que vivem e também olhar a comunidade de uma forma positiva, não só os defeitos”.
Na conclusão do projeto, em dezembro, o grupo elaborou uma lista com as principais reivindicações constatadas nas entrevistas. De acordo com a jovem Tatiane Cortez Florenciano, de 12 anos, a lista inclui melhorias na coleta de lixo e saneamento básico, que ainda não existe em todas as ruas, a pintura de faixa de pedestre na ponte próxima ao colégio e a criação de espaços de lazer e esporte (como praça, quadra de vôlei e futebol).
O relatório final, juntamente com as filmagens, já foi apresentado na Câmara de Vereadores e no Fórum Social Permanente do Brejaru e Frei Damião. O projeto foi executado com recursos do Fundo da Infância, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Foram repassados à associação cerca de R$ 13 mil, usados na compra de equipamentos, materiais, edição e gravação do DVD, despesas com pessoal, entre outros.
Para a coordenadora-geral do núcleo gestor da instituição, Laura Maria dos Santos, o grupo pode fazer a diferença na comunidade: “Alguns jovens gostam de denegrir a imagem do bairro, mas é preciso ter orgulho e fazer algo para mudar”. Para 2015, ela prevê a ampliação do projeto. “Queremos dar continuidade, com um curso multimídia para os jovens que permita a criação de um blog da associação e de um jornal comunitário”, finaliza.